É, eu sei. Eu sei que às vezes você fica olhando as nossas fotos, e se perde entre as idéias de onde foi que as coisas saíram do caminho. Eu sei que você tem vontade de virar as coisas de cabeça pra baixo, e tirar tudo fora do lugar, pra ver se começando tudo de novo acaba fazendo mais sentido. Eu sei que você tem vontade de sumir pra um lugar bem afastado de tudo, de voltar no tempo, de me ter do seu lado como se o tempo não tivesse passado. Eu sei que você tem vontade de reler os bilhetes, os emails que nos escrevemos, pra ver se em algum ponto no meio dessa montanha de palavras e promessas você encontra algo que ainda possa significar alguma coisa. Eu sei, porque eu também tenho. Eu também tenho vontade de rebobinar a fita, de fazer o relógio andar pra trás e tentar encontrar aquele ponto exato, o instante absoluto onde uma pequena mudança qualquer fez tudo começar a andar fora do trilho. Eu também tenho vontade de agarrar nossas palavras, todas aquelas que um dia nos dissemos, de fazê-las valer alguma coisa, ainda hoje. Eu também tenho vontade de engolir o que já fomos, de transformar o presente, de fazer com que o passado não seja mais apenas isso.
Mas é, amor, não dá. Tanta coisa passou, tanta coisa mudou. E hoje o que nos resta é isso, lidar com o que temos nas mãos. E pode não parecer, eu sei que tantas vezes não parece, mas o que temos nas mãos é tanto, e tão especial. Eu sei, eu sei que não temos o que um dia achamos que teríamos, mas quem sabe, eu às vezes desconfio que temos um mundo diante dos nossos olhos, apenas ainda não descobrimos como enxergá-lo. Eu deixei para trás idéias românticas, mas ainda guardo dentro de mim uma crença aguda nos finais felizes, ainda vejo a beleza por trás do véu de lágrimas, ainda enxergo a doçura, o beijo antes dos créditos que encerram a trama. Aqui, ainda não encerramos nada.

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