Eu já havia imaginado demais, e viver de utopias não é muito bom. Saudável é viver de certezas definidas e traçadas. Vale mais a pena, vale mais o choro, vale mais qualquer coisa, até a gente passa a valer mais, porque passamos a ter a quem valorizar. E isso nos mantém no jogo.
Eu já estava conformada em viver sem você, em não mais te ver, nem te sentir. Mas parece que tudo conspira contra mim. Mesmo quando não te lembro, alguém cita o seu nome pro meu desassossego. Mesmo se não te encontro, o teu cheiro faz questão de deixar rastros pra quando eu passar me fazer te lembrar. Assim não dá.
Eu só queria de volta a minha segurança, meu autocontrole, meu domínio próprio. Saber onde pisar, pois é a melhor forma de evitar as feridas no caminhar. Prezar pela minha lucidez, porque a vida é uma guerra e nenhum de nós sai ileso dela. Mas constatei com tristeza que sou incapaz, que tenho limites, e que sou vulnerável. Às vezes deixo brechas abertas demais e isso faz com que eu me fira e fira outras pessoas também. É como se eu fosse usada, sugada. Sentimento de ser tomada, ser bebida, comida, mastigada, provada e repetida. Cedi muito, mas a tempo me lembrei que um dia o meu mel acabaria e já não teria nem pra dar, nem pra adoçar a mim mesma. Tornar-me-ia amarga, ácida, por não pensar primeiro em mim e na minha própria sobrevivência. Então preferi assim, ser senhoria de mim, ser minha dona. Ninguém me doma.
Eu só queria não mais precisar de você, não mais me entristecer com sua ausência e tão pouco me incomodar com sua presença. Continuar vivendo como se nada tivesse acontecido, como se eu nada tivesse ouvido e nem mesmo declarado. Queria poder voltar atrás e refazer o meu caminho. Se eu soubesse que me tornaria escrava não teria aberto a guarda. Se eu soubesse que me envolveria não teria me aproximado. Se eu soubesse que não levaria a sério não teria nem começado a brincadeira.
Monique Frebell

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