Quando eu morrer não quero flores
Não quer choro e nem velas
Muito menos pessoas tristes com seus lenços nas mãos
Não quero velório, nem ninguém de terno
Tampouco desconhecidos apenas para fazer volume
Quando eu morrer eu quero festa
Quero todo mundo feliz e dando risadas
Contando piadas e situações de como eu era
Quero as pessoas lembrando os bons e maus momentos
As minhas fraquezas e virtudes
O meu lado humano e sobrenatural
Quero que vocês falem de como um dia fui amigo
De como um dia fui amor
Ou de como sempre me odiaram
Quero que lembrem que escrevia por aqui
Que era apaixonado por sapos
E preferia andar na chuva a ficar sem sentir o vento na cara
Quero que pensem em como fui exigente
Em quando fui chato e insistente
Mas que no fundo só estava pensando no bem
Quero que meus inimigos participem
Quero que eles sorriem ou chorem por dentro
Quero que vejam que agora eles venceram porque eu já parti
E já podem se dizer ganhadores de algo que até hoje não sei o que é
Quero que meus amigos façam um vídeo
Com as melhores imagens da minha vida
E, sobretudo com uma trilha sonora bem bonita
Nada de coisas fúteis
Apresentem a todos a forma como eu vivi
A forma como passei pela vida de cada um
Para que cada um possa guardar um pedacinho meu para sempre
Quando eu morrer quero que meus melhores amigos me prometam
Fazer um filme sobre minha vida
Buscar cada testemunho de cada pessoa que um dia me importou
Mas fazer um filme digno de um Oscar
Ou pode ser um Leão de Ouro também
Porém deve ser merecido
E aí sim todos devem chorar e levar seus lenços para enxugar as lágrimas
Quando eu morrer quero que as homen que amei me jurem
Escrever um livro sobre como as tratei
Pelo curto ou longo período que passei por suas vidas
Quero os detalhes das brigas e discussões bem contados
Para que outras mulheres possam ler e nunca fazerem igual
Quero cada linha falando de amor
De como meus olhos brilhavam ao vê-las
E de como vocês ficavam ao estarem em meus braços
Preciso que contem tudo o que já fiz e ficou marcado
Como um manual de pequenas coisas de amor
Só não vulgarizem, por favor
Pois aí ele será colocado na seção de materiais eróticos
E talvez nunca seja lido,
Pois ninguém perde tempo lendo sexo
Em vez disso falem de amor
Das noites frias que ficaram quentes
Dos cafés da manhã improvisados
Dos banhos e dos beijos molhados
E das carícias antes de dormir
Quando eu morrer quero que meus inimigos tentem
Não sentir minha falta como concorrente
Não buscar outro inimigo equivalente
Porque vocês é que escolheram não gostar de mim
Mas eu sempre gostei de todos mesmo assim
Quando eu morrer quero que todos façam a mesma coisa
Mostrem ao mundo como fui e o que representei
Mesmo que isso seja pouco ou quase nada
Mas mostrem que um dia a gente fica
Noutro a gente passa
Mas uma hora vai embora
E se agora que você está lendo esse texto eu já parti
Não o considere como uma carta de despedida
Apenas como uma homenagem a todos aqueles
Que um dia foram importantes para mim.
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